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Tribuna de Nobres

21/09/2019
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Anos de constrangimento e dor

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Dois munic√≠pios pr√≥ximos, separados por um C√≥rrego Seco, com as respectivas cidades distantes apenas 18 kms e com interesses sociais e econ√īmicos em comum. Juntos, os munic√≠pios de Ros√°rio Oeste e Nobres somam uma popula√ß√£o pr√≥xima dos 35 mil habitantes e ambas sofrem de mesmo mal, o √™xodo populacional e as consequ√™ncias da popula√ß√£o flutuante nesse vai-e-vem em busca de trabalho e de oportunidades.

Por anos essas popula√ß√Ķes convivem com um velho problema que insiste em perdurar pelo mais absoluto descaso das autoridades pol√≠ticas estaduais, principalmente por parte dos pol√≠ticos aventureiros, quase sempre apresentados por vereadores, principais cabos eleitorais de alguns arrivistas que se encaminham para os territ√≥rios dos respectivos munic√≠pios "√† cata dos votos" dos eleitores sem nenhum compromisso futuro.

O problema em quest√£o, atirado √† gaveta do esquecimento, √© a presen√ßa de um m√©dico legista em uma dessas cidades, em local adequado, para a realiza√ß√£o das aut√≥psias e a respectiva libera√ß√£o dos corpos √†s fam√≠lias para serem velados num √ļltimo adeus aos entes queridos das fam√≠lias que enfrentam a dor da perda.

Dor e constrangimento se somam à espera pela liberação do corpo enviado para Diamantino, a cerca de 60 kms de Nobres e há mais ou menos 80 de Rosário Oeste. O exame cadavérico é realizado ali e chega a durar 12 horas ou até mais para que seja liberado à família, criando uma situação desagradável pela dor da espera, que é mais demorada e prejudicial em alguns aspectos, sendo o curto espaço para velar o morto um dos maiores entraves.

A falta de vontade política dos representantes políticos e do próprio Governo do Estado é que vem estabelecendo esse cenário lamentável, onde as famílias costumam estender o tempo de permanência do corpo, exposto ao velório, após passar cerca de 12 horas ou mais no translado até Diamantino para exames necroscópicos e o retorno. Não é possível que alguém que morra em um noite, após as 20:00 horas, e o corpo seja levado para translado somente na manhã do outro dia, de lá retornando no fim da tarde do dia seguinte para ser velado por mais oito ou dez horas, ainda que, com a aplicação dos medicamentos que permitam a permanência do corpo por um devido tempo.

Não se sabe qual o limite mínimo populacional para que seja reivindicado um posto de atendimento que seja sede para exames necroscópicos em um desses dois municípios, possibilitando a contratação de um médico legista para atender a demanda dessas duas cidades.

A verdade √© que j√° est√° na hora de as popula√ß√Ķes desses munic√≠pios obterem essa vindica√ß√£o, das mais justas, para evitar que leve mais anos e anos de dores e de constrangimentos por conta da falta de vontade pol√≠tica num Pa√≠s aonde viadutos desmoronam e pol√≠ticos fazem campanha voando de jatinhos de empreiteiros. Isso, quando n√£o s√£o os pr√≥prios empreiteiros os pol√≠ticos em busca da preserva√ß√£o do mandato ou de um primeiro ano no poder.

Por que ser√° que a pol√≠tica √© t√£o atrativa assim? Dizem que √© para mudar a vida das pessoas, cuidar da sa√ļde, da educa√ß√£o, da seguran√ßa p√ļblica, das estradas e promessas mais. √Č justamente nesses setores que o povo mais sofre.

Para ser atendido no setor p√ļblico √© preciso acordar de madrugada para apanhar senha e tudo sair√° bem na hora do atendimento quando o m√©dico n√£o chegar mal humorado, estressado e chutando o balde. Uma vez morto, mais espera ainda para ser atendido no setor de necropsia.

O jeito vai ser a utilização de algum tipo de bálsamo caseiro que permita a permanência do corpo presente para ser velado, evitando assim a dor e o constrangimento causado pelo desinteresse daqueles que se dizem nossos representantes nas mais diversas esferas políticas.

√Č saber escolher aqueles que nos representam, a come√ßar por evitar vender o voto para os cabos eleitorais profissionais, aqueles que gostam de falar "meu povo", como uma forma de ludibriar o eleitor e mercantilizar a vontade individual do cidad√£o atrav√©s da l√°bia.

 

Trincheira LV

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