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Tribuna de Nobres

21/10/2018
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Razão desconsiderada

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O impasse gerado entre a categoria dos profissionais da Educação e o Executivo municipal está longe de terminar em Nobres. Nenhum dos dois lados cede e o prazo para que os alunos voltem a estudar está sendo esticado. As negociações estão emperradas e a crise entre educação e governo permanece embora não falte diálogo, onde cada um defende o seu lado.

A oferta do Executivo é de 2.7 por cento e os professores não baixam daquilo que eles entendem ser justo. A classe é unida e tem que ter a preocupação com a infiltração de estranhos aos interesses daquilo que pleiteia.

O Executivo municipal se defende e aponta que o município está entre aqueles que melhor remuneram os servidores da Educação. E também não se nega a reconhecer que o Piso Salarial da Educação seja lei e que o município cumpre essa lei.

De sua parte, os professores apresentam reivindicação que é de 6,81% de reajuste do piso salarial e o governo rebate com a informação de que esses números causariam desequilíbrio nas contas do município, alegando que a correção deve ser feita pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), cujo percentual seria de 2,07%

E ainda há a alegação do Executivo de que os salários estão sendo pagos rigorosamente em dia e que até agora as finanças do município não estão em risco.

O comando de greve segue a postura de enfrentamento e o impasse tem jeito de que vai continuar. A classe dos profissionais da Educação tem força e é bastante representativa, mas não pode deixar se contaminar por informações equivocadas de terceiros, alheios aos interesses da classe que tem se pautado pelo diálogo.

O momento não é de realidades distorcidas e de números irreais lançados ao vento por quem não tem nada a ver com a luta de classe. Ainda bem que a classe tem buscado agir dentro daquilo que sempre foi á posição das lideranças, de defender o diálogo, deixando os radicalismos de fora da pauta.

Então, todo cuidado é pouco com agentes externos, movidos por interesses subalternos que se apresentam como apoiadores do movimento apenas pensando em amealhar vantagens pecuniárias.

Em meio a tudo isso estão os pais, apreensivos e outros preocupados com seus filhos sem creche, com as aulas interrompidas e a espera de que uma solução seja encontrada nessa Matemática que nem sempre foi uma ciência exata e muito mais uma estratégia com percepção de futuro e características ou resquícios políticos.

Os pais que não tem com quem deixar os seus filhos para ir trabalhar, as crianças que clamam por aprendizado digno, não tem que se ater a percentuais para mais ou para menos e tem uma preocupação única, ver os filhos aprenderem, serem bem cuidados e com o caráter de bom cidadão.

Caso uma solução seja encontrada, a que melhor equacione os interesses de ambos os lados, é certo que não haverá vencedores e nem vencidos, pelo que os pais saberão agradecer. Da mesma forma agradecerão os professores quando as salas de aula forem de fato refrigeradas e as condições de trabalho forem satisfatórias, estando isso aquém dos números nessa escala de menos de três e bem perto de sete que causa essa demanda toda.

Há razões que a própria razão desconhece e talvez a dos pais de alunos seja a razão camuflada e imperceptível nessa contenda.

 

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