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Tribuna de Nobres

30/10/2020
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Opinião

Sucessão de erros...

Em 1.992, quando os municípios se encontravam em plena euforia da sucessão municipal, em Nobres não era diferente, onde os grupos políticos se mobilizavam nos bastidores para a eleição de um novo prefeito.

Nos bastidores políticos o MDB era o partido que dava as cartas e jogava de mão, capitaneado pelo deputado estadual Joemil Araújo e os líderes locais, cuja proposta era fazer o sucessor do então prefeito Amélio Dalmolin.

Como liderança regional, o deputado Joemil teria traçado um alinhamento que permitiu a demissão do então secretário municipal de Saúde, André Avelino Bezerra, fazendo trazer para a cidade de Nobres o presidente da Câmara Municipal de Rosário Oeste, Manoel Loureiro Neto, que largou tudo e veio de mala e cuia para Nobres.

As ‘mexidas’ no cenário doméstico parece que soaram estranhas aos políticos locais e havia sinais de que aquela balada não seria a que todos gostariam de ouvir. Mas o plano seguia em curso e Manoel Loureiro inaugurou o Hospital Laura de Vicuña, justamente em outubro de 1992, para garantir uma pompa aos seus planos políticos, engendrados pelo PMDB.

Tudo caminhava dentro do pragmatismo dos velhos caciques daquela época e Manoel Loureiro andava as portas do poder em Nobres, estendendo a força política de Joemil Araújo sobre o município que foi ‘filho’ de Rosário Oeste e já caminhava com as próprias pernas.

Havia uma perfeição naquele planejamento, tido como infalível, colocando-se a imagem da nova casa de saúde como uma fonte de inspiração para que o município de Nobres fosse o novo panteão dos peemedebistas.

Mas, nem tudo era perfeição e nos bastidores da política havia uma mobilização em um tempo em que se podia dizer que fosse “por Nobres”. E o trabalho de formiguinha levou a uma descoberta que arrasaria os quarteirões da política, conhecida de todos, que foi a descoberta de transferências ilegais dos antigos títulos eleitorais ou cédulas, como queiram.

Os planos ruíram e a ‘enxurrada’ de problemas surgiram, assim como a derrota nas urnas, estabelecendo um estigma ao hospital que marcaria para sempre a vida da casa de saúde, que é privada.

Manoel Loureiro perdeu e o hospital, novo, se viu envolvido numa ‘guerra fria’ com a família Barbosa Nogueira que assumiu o poder a partir de 1993 em Nobres.

E lá foi o hospital privado para um período de penúria, em que pese contar com um quadro de profissionais respeitados e abnegados, a equipe sucumbiu e os problemas avolumaram-se.

O nome de Nobres foi parar no Globo Repórter da TV Globo e a nódoa perdura em relação ao Hospital São Luiz, que pertenceu aos Barbosa e o novo hospital, inaugurado em 1992.

Só ali, naquele curto período, seria o suficiente para se fazer uma análise profunda sobre saúde e política, que não se funde e nem se confunde.

Mas não, saiu dali, de alguma forma, guindado ao papel de candidato de um grupo político que buscou reinventar a roda, um nome que mudaria para sempre a configuração política e a saúde, numa amálgama irreparável.

O médico prefeito, em que todos apostaram como solução, veio a causar sequelas administrativas e financeiras que ainda hoje necessitam de reparos.

E pensam que se aprendeu com as experiências mal sucedidas? Não!                       

Em 2.016, notou-se algumas certas e outras incertas comemorações festivas internas que denotavam uma nova e ilusória tentativa de se casar “saúde com política partidária”, mas não foi muito adiante e acabou cambaleante.

E para não deixar pegadas na areia, desvencilhou-se daquele ‘excesso’, criado mais uma vez no laboratório das fantasias políticas.

Recentemente, em conversa jogada fora, ouviu-se de um antigo servidor daquela casa de saúde, que um filho dileto dali deixou prejuízos (in)calculáveis a casa onde praticamente morava.

E uma nova retórica se desenha: pensam que se aprendeu com os erros?

Tocam as trombetas de que daquela casa de saúde pode sair a vice prefeita de um candidato que ainda nem se decidiu pelo que vai fazer.

Será que, internamente, não há quem se atenha ao fato, procurando ver o lado positivo do respeito que se encontrou a partir das parcerias estabelecidas com entidades respeitáveis do município?

Não seria o caso de buscar a promoção de estudo de avaliação, seja através de pesquisa ou de consulta pública sobre a satisfação do público com essa fase em que os bons ventos sopram em favor do respeito e do compartilhamento de soluções para a saúde da população de Nobres?

Ou que se faça um exame sofisticado para se chegar à conclusão sobre o DNA da casa de saúde, se contém alguma realidade que defina o perfil desse apego e ao mesmo tempo apelo político que até hoje nada de positivo trouxe.

Justamente agora, quando a população vê a casa de saúde com tamanho respeito e o próprio poder público tem feito a sua parte, cumprindo com as contratualizações com esmero e sem deixar atrasar.

Por que, a insistência nessa fusão entre saúde privada e política partidária?

Não vai acontecer, mas prevenir contra erros do passado já terá sido importante para que a saúde da população não tenha uma recidiva negativa, o bastante para desandar o que se apresenta ao menos coerente e equilibrado neste momento.

Antes de tudo o que seja politicamente incorreto ocorra onde muitos que precisam da casa de saúde terminem sem o mel e sem nem a cera, que se reveja sobre os boatos sobre essa pretensa incoerência... essa sucessão de erros.

 

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