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Tribuna de Nobres

25/01/2021
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Máquina de fritura, de ingerências e de insegurança política

O baiano de Salvador, nascido em 05 de novembro de 1849 e falecido em Petr√≥polis (RJ) no dia 1.¬ļ de mar√ßo de 1923, aos 74 anos, incompletos, Ruy Barbosa, teve importante participa√ß√£o na vida p√ļblica brasileira, tendo sido um dos intelectuais mais brilhantes de seu tempo, segundo relatos hist√≥ricos sobre a "√Āguia de Haia", ep√≠teto recebido do Bar√£o de Rio Branco, como delegado do Brasil na II Confer√™ncia da Paz, em Haia (Holanda, 1907), onde notabilizou-se pela defesa do princ√≠pio da igualdade dos Estados.
Enquanto senador, Ruy Barbosa travou intensas batalhas no Senado Federal contra a corrupção que grassava ao seu tempo e modo naquele Brasil ainda provincial embora com ares republicanos.
E Barbosa já alardeava em inflamados discursos que se pautava pela convicção do bem, e esta "quando contrariada pelas hostilidades pertinazes do erro, do sofisma, ou do crime, é como essas catadupas da montanha. Vinha deslizando, quando topou na barreira, que se lhe atravessa no caminho. Então, remoinhou, arrebatada, ferveu avultando, empinou-se, e agora brame de voz do orador, arrebata-lhe em rajadas, sacode estremece a tribuna, e despenha-se-lhe em torno, borbulhando".
Não, o ex-ministro Sergio Moro não é o Ruy Barbosa dos dias atuais, mas causou uma impressão tamanha em nível mundial por promover uma espécie de limpeza moral neste País que ainda hoje marulha dos conventículos, os mais sórdidos que são urdidos, para a garantia de um poder que nunca será absoluto.
Heitor Durville já dizia que "Educação, religião, sexo, moral e dever, variam de acordo com a pessoa, época, Estado ou País, porém, o mundo é a eterna verdade em qualquer momento e lugar no Universo, é sempre a mesma coisa".
O mesmo Heitor Durville nos prop√Ķe que seja "mais dif√≠cil entender as complica√ß√Ķes e artif√≠cios mundanos, do que seguir a simplicidade da verdadeira vida real".
O Brasil vive dias de intensas complica√ß√Ķes e de reconhecidos artif√≠cios mundanos na atualidade, onde um presidente de uma na√ß√£o grandiosa, de dimens√Ķes continentais, guindado ao poder atrav√©s dos instrumentos modernos da tecnologia, tornou-se uma celebridade, sem o menor esfor√ßo, sob o prisma de que tenha conquistado o eleitorado e n√£o gastou fortunas em campanhas.
Jair Bolsonaro tornou-se o mais novo modelo brasileiro de honestidade, fugindo da regra que, sup√Ķe-se, seja a do eterno esbulhar contra a na√ß√£o, ao extremo.
Celebridade pol√≠tica instant√Ęnea, Jair Bolsonaro √© o nome da moda, est√° para o pa√≠s como novo Messias, t√£o esperado e desejado ante um cen√°rio de corrup√ß√£o que acompanha o povo desde um pouquinho al√©m do ano de 1.500, ap√≥s a descoberta das nossas terras.
Estabeleceu-se, a partir da eleição de Jair Bolsonaro uma nova forma de mostrar ao mundo como se faz para processar a transformação da água, onde se verte vinho aos inebriados carentes de um governante que tenha competência, postura e equilíbrio.
Todas as expectativas geradas em torno desse novo 'm√°rtir' da pol√≠tica brasileira v√£o se despeda√ßando, momento a momento, dia a dia, por conta de um desejo incontido de mirar a reelei√ß√£o e ainda ter que carregar os devaneios de filhos que s√£o reconhecidos atrav√©s de n√ļmeros ordinais e de muita fal√°cia, tramas e persegui√ß√Ķes de inimigos imagin√°rios.
O n√ļmero um, trama para derrubar um ministro. Hipoteticamente, o segundo na ordem da hierarquia dos abusos de poder, promove campanha s√≥rdida e ataques levianos contra uma amiga de primeira hora, a deputada Joice Hasselman. Um outro filho, sabe-se l√°, que n√ļmero... t√™m anunciada a sua fama em rede nacional, em meio aos nomes mais ilustres da atual conjuntura administrativa do Brasil, como o que "pegou" todas do seu condom√≠nio, onde o ex militar e miliciano Adriano N√≥brega tinha morada.
Com o vice presidente Hamilton Mourão, general respeitado, com todos os ministros em rede nacional, conseguir absorver que a Polícia Federal do Estado Brasileiro fosse comparada ao Inmetro. Quanta falta de respeito, tanto a um quanto a outro órgão, respeitadas as suas competências, onde se anuncia que se vai 'implodir' aquilo lá.
Calado, o ministro Guedes, que tem uma bagagem bem maior que aquele seu autodenominado "chefe supremo", teve que respirar fundo atr√°s de uma m√°scara, instrumento mais ou menos √ļtil em meio ao desrespeito contra o t√£o pregado (e maculado, tamb√©m!) ajuntamento social.
Que triste figura a do ministro √Ēnix Loren√ßoni, escondido aos fundos de um ajuntamento de l√≠deres que dominam o Brasil hoje em dia, sujeitando-se ao paralelismo no conjunto, v√≠tima, talvez dos filhos do capit√£o (vide quadrinhos... Os Sobrinhos do Capit√£o).
Na sequ√™ncia dessa intrag√°vel realidade, o ministro Eduardo Mandetta foi retirado do cen√°rio governista por ser articulado e ter experi√™ncia pol√≠tica. Trocaram o ministro da Sa√ļde porque fala uma linguagem que todos entendem e com perfil para um grande concorrente do atual presidente.
Inventaram uma m√°cula ao Mandetta, rebuscada de Campo Grande, ali bem perto da sua casa, a bela Maracaju. N√£o viram nada disso antes, s√≥ depois da ciz√Ęnia armada.
E o ac√ļmulo de inimizades gratuitas por conta do ainda long√≠nquo ano de 2.02, ratificam-se a partir daqueles considerados virtuais litigantes em uma contenda imprevis√≠vel, a partir do governador Witzel, do Rio de Janeiro. O governador D√≥ria (SP) √© atacado constantemente por se mostrar presidenci√°vel. No Nordeste, os governadores que n√£o se mostram aliados, s√£o tratados como detratores do governo.
Mas, por que, cargas d'√°gua, na hora de atacar a democracia e buscar a defenestra√ß√£o da imagem dos ministros do STF, do Senado e C√Ęmara Federal, isso se faz com os "n√ļmero um, n√ļmero dois... tr√™s" e para reparar os erros cometidos, todos os ministros tem que estar nos costados do falante chefe supremo?
Soa fr√°gil a cita√ß√£o de um grande l√≠der (ou que se sup√Ķe seja) quando se ouve a pron√ļncia sempre na primeira pessoa do singular ou na clara aplica√ß√£o do gerundismo imed√≠vel: "eu vou estar governando o pa√≠s deste povo que me ap√≥ia...".
Fica fragilizada a citação "povo", na medida em que seja faça necessário, sair cotidianamente às ruas para conferir um prestígio que vinha sendo inegável, na medida em que os bons resultados iam acontecendo.
Iam... mas está se perdendo em cada padaria, em cada farmácia, nos lares e nos meios políticos a partir da insegurança e das ingerências nada republicanas dos filhos que querem governar o País por tabela e encontram guarida na fragilidade dos raciocínios do novo Messias que vê um inimigo em potencial em cada ambiente dos poderes.
√Č esperar que o Brasil reencontre-se consigo e que a paz volte a reinar, ainda que as mortes sigam extraindo dos seios familiares os seus entes queridos, √ļnicas refer√™ncias neste mundo de incertezas.
√Č de se acreditar que os fracassos de agora se tornem as vigas que sustentar√£o uma na√ß√£o que jamais perdeu as esperan√ßas, ainda que seja esbulhada a sua gente, governo a governo.
Que sejamos fortes o bastante para reerguermos diante do caos social, econ√īmico e pol√≠tico que j√° est√° instalado e n√£o ter√° sido por conta dos epis√≥dios de ontem (24/04/20), mas por uma sa√ļde que n√£o permita que a popula√ß√£o seja dizimada, onde os que sobreviverem jamais perca a f√© nos governantes.
(Por Benedito Fernandes de Souza).

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