As “minas” de Nobres

Saturday, 30 September 2017 14:21 administrator
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O município de Nobres esconde um enorme tesouro, encravado na exploração mineral e que gera um dos principais produtos para a atividade que fomenta o agronegócio. O calcário extraído aqui há décadas sem que esse “produto”, altamente necessário para as ricas lavouras de produção de grãos, traga tantos benefícios assim para o município. Mas não é apenas o calcário quando temos a extração de minerais que se tornam úteis para a construção civil, para a produção de massa asfáltica, para a fabricação de gesso e massas diversas.

Contudo, esse “tesouro” extraído daqui também enfrenta dificuldades com a sonegação e o passar dos anos não tem trazido a preocupação de trazermos luz a essa realidade, de que necessitamos dos impostos para a melhoria da infraestrutura urbana, da implantação de melhorias estruturais em ruas do nosso bairro e, principalmente, de uma educação ambiental capaz de modificar o nosso modelo de vida em comunidade, onde prolifera o descaso para com o meio ambiente e essa responsabilidade é transferida para o poder público, como se este fosse o único responsável pelo que temos em termos de cidade limpa e bem cuidada.

Nem é o poder público o único responsável e nem os cidadãos são tão isentos assim de dar a sua contribuição para uma cidade melhor. A responsabilidade é de todos, principalmente daquele que trata a própria cidade como um lugar qualquer e se desfaz do lixo no terreno mais próximo.

Mas, voltando ao assunto da sonegação de impostos, ela está evidente naquelas empresas que deixam de recolher os impostos sobre a extração de minerais e se utilizam do subfaturamento para evitar o recolhimento de impostos reais aos cofres municipais. Há acúmulo de valores que ninguém ousa reaver e o resultado dessa inépcia é uma cidade pouco estruturada, com muitas ruas carentes de infraestrutura básica.

Passam-se os dias e os anos e o município sempre às voltas com a sonegação que também se espraia para o setor turístico a espera de medidas judiciais que sejam se não duras ao menos condizente com a necessidade de se ter nos cofres públicos o que é devido.

Imposto devido não é favor e cabe também aos nossos parlamentares municipais uma análise da ineficácia das ações que possam garantir avanços nas medidas protetivas em relação ao imposto devido. Se temos impostos a receber, por que deixar de lado e esperar o tempo passar?

Nós não podemos (e não devemos) crer que o imposto devido seja uma dádiva, mas é um dever dos devedores em relação ao município e o setor que trata dessas questões deve ter números que nos levem a acreditar que temos um tesouro e dele não dispomos por desinteresse.

E ninguém precisa se tornar um Allan Quatermain dos dias modernos para ir buscar esse tesouro seja em que mina for... ainda que seja de um novo Rei Salomão, lembrando a todos que estamos em Nobres e não em um “mundo perdido” como o das fábulas do romance de Henry Rider Haggard.

Desta vez, a “insurgência” tem que ser daqueles que se interessam por um município melhor, com melhor qualidade de vida para todos. E como o desenvolvimento só acontece com investimentos, nada como correr atrás dos recursos que temos e que dispomos.